Projeto lúdico para acolhimento de crianças durante visitas a apenados reforça o papel da família na reinserção social 24/03/2026 - 11:59

A Penitenciária Estadual Thiago Borges de Carvalho (PETBC), em Cascavel, no Oeste do Paraná, oficializou nesta segunda-feira (23) a entrega de uma iniciativa voltada à humanização dos espaços de visita destinados a crianças. A ação foi desenvolvida em parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) – Subseção Cascavel, com participação da gestão da unidade, e representa um avanço nas estratégias de acolhimento às famílias de pessoas privadas de liberdade (PPL).

Implementada no fim de 2025, a iniciativa resultou na pintura de jogos lúdicos nos pátios utilizados para visitas familiares. Os espaços passaram a contar com elementos visuais mais coloridos e interativos, pensados especialmente para o público infantil, que soma mais de 100 crianças nos dias específicos de visitação. Nesta segunda-feira, três áreas da unidade foram contempladas, com previsão de ampliação para outros pátios.

O diretor da unidade, Sérgio Sarquis, destacou a relevância da ação e o papel essencial da família no processo de reinserção social. “A proposta era simples, mas extremamente significativa: levar para dentro dos pátios brincadeiras que fazem parte da infância, como amarelinha e outros jogos lúdicos. A direção autorizou e buscou viabilizar o projeto, que hoje se concretiza com essa entrega. Foram cerca de 10 a 15 pinturas realizadas em dois blocos, mas temos 12 pátios, então é uma ação que não termina aqui. A ideia é ampliar para toda a unidade”, explicou.

O diretor também ressaltou que o projeto não tem como objetivo normalizar o ambiente prisional para as crianças, mas sim garantir um acolhimento mais digno durante um momento delicado. “Entendemos que, se as crianças estão aqui, precisam ser acolhidas da melhor forma possível. Não se trata de tornar o ambiente algo habitual para elas, mas de proporcionar um momento mais humano. A reintegração social também passa pela família, e precisamos considerar esse aspecto com responsabilidade e sensibilidade”, declarou.

A execução do projeto também reforça o caráter ressocializador da própria unidade, já que toda a mão de obra foi realizada por pessoas privadas de liberdade com aptidão para pintura. “A OAB viabilizou todo o material necessário e os próprios custodiados realizaram as pinturas. Isso também fortalece o processo de responsabilização e participação ativa dentro da unidade”, completou Sarquis.

Representando a OAB Cascavel, a diretora Silvia Regina Mascarello Massaro destacou a importância da parceria institucional e do olhar humanizado para o sistema prisional. “A OAB está presente diariamente, acompanhando e apoiando as instituições. Nosso objetivo é caminhar juntos, buscando melhorias concretas. Essa demanda surgiu dos próprios familiares das pessoas privadas de liberdade, que levaram essa necessidade aos advogados. 
Sabemos que a família é parte fundamental do processo de reinserção ao meio social e iniciativas como essa tornam o momento da visita mais digno e acolhedor”, detalhou.

A advogada Mary Andréa Alves Jurumenha, integrante da Comissão de Métodos Adequados de Tratamento e Resolução de Conflitos (CMARC), explicou que o projeto vai além do investimento material, trazendo um impacto social relevante. “É importante termos um olhar mais humanizado para todo o sistema penal e seus reflexos, não apenas para quem está privado de liberdade, mas também para as famílias e, especialmente, para as crianças. Buscamos tornar essa convivência um pouco mais leve com o projeto, que tem um baixo custo, com um impacto humano e social gigantesco”, disse.

Já o presidente da CMARC, João Felipe Periolo, reforçou que a iniciativa terá continuidade e deve alcançar ainda mais espaços da unidade. “A ideia foi justamente humanizar a recepção das crianças, algo que já acontecia, mas que precisava desse reforço com as pinturas lúdicas. Hoje estamos fazendo a entrega dessa primeira etapa, mas já discutimos a ampliação do projeto. Nas próximas semanas, devemos apresentar uma nova proposta ao Conselho da Comunidade para viabilizar a expansão”, enfatizou.

Ao integrar família, instituições parceiras e a própria população carcerária na execução das melhorias, a iniciativa contribui para um ambiente que respeite as particularidades do sistema prisional sem perder de vista a importância do vínculo familiar no processo de transformação social.

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