Polícia Penal do Paraná realiza mutirão de saúde em Piraquara com mais de 800 atendimentos 04/05/2026 - 18:04
A Polícia Penal do Paraná (PPPR) realizou na última semana um mutirão de saúde voltado às pessoas privadas de liberdade na Penitenciária Central do Estado – Unidade de Segurança (PCE-US), localizada no Complexo Penitenciário de Piraquara. A ação integrou esforços institucionais para garantir assistência integral à saúde no sistema prisional.
“Entendemos que a missão da Polícia Penal transcende a custódia, ela se fundamenta na dignidade e na oferta de condições reais para a retomada da vida em sociedade. Esta ação multidisciplinar é um exemplo prático desse compromisso”, destaca a diretora de Tratamento Penal da PPPR, Marilu Katia da Costa.
Os atendimentos foram conduzidos por equipes de saúde da própria PPPR, com apoio de profissionais e acadêmicos da Faculdade de Pinhais e da Faculdade Positivo. Ao longo da semana, foram realizados cerca de 200 atendimentos médicos, aproximadamente 500 testes rápidos para HIV, sífilis, hepatites virais e tuberculose, além de 30 atendimentos odontológicos, 90 atendimentos psicológicos e 40 atendimentos religiosos.
Para a diretora, ao oportunizar que os custodiados passem por uma linha de cuidado completa — iniciando na triagem de enfermagem, avançando para consultas clínicas e odontológicas, além da realização de testes rápidos — garante-se o direito fundamental à saúde, prevenindo agravos dentro do sistema. “O atendimento psicológico, somado à presença fundamental de dois capelães, permitiu algo raro e valioso no ambiente prisional: a escuta qualificada. Ao oferecer um espaço seguro de fala e reflexão, proporcionamos aos apenados o suporte emocional necessário para o processo de reintegração social”, enfatiza.
Diante dos efeitos positivos, a diretora ainda ressaltou a importância da continuidade de iniciativas semelhantes. “Sabemos que uma pessoa com saúde e equilíbrio emocional é alguém com maior potencial para se integrar aos canteiros de trabalho e projetos educacionais. Esta ação foi um sucesso indiscutível. Nosso esforço institucional, a partir de agora, será canalizado para que este modelo de atendimento vire uma rotina consolidada dentro de nossa dinâmica funcional”.
A atuação integrada das equipes de saúde possibilitou atender a uma ampla gama de demandas clínicas, desde casos simples até situações de maior complexidade. Ao longo dos dias, foram realizados atendimentos relacionados a diversas patologias, com os devidos encaminhamentos a especialistas e a solicitação de exames de rotina, como exames de imagem, eletrocardiograma, raio-X de tórax e análises laboratoriais.
O diretor clínico do Complexo Médico Penal, Francisco Santos, explicou o processo de atendimento. “O trabalho realizado na PCE-US funcionou como em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), onde realizamos a triagem, o atendimento inicial, solicitamos exames e encaminhamos para especialistas. Quadros como pneumonia, rinite e atendimento ambulatorial, por exemplo, foram tratados na própria unidade prisional, sem necessidade de encaminhamentos para unidades de saúde”, afirma.
Para atendimentos externos, quando necessário, foram realizados encaminhamentos após a etapa de cuidados básicos na unidade penal. Algumas pessoas privadas de liberdade receberam assistência hospitalar em nível terciário, sendo direcionadas a hospitais. Consultas de especialidades como reumatologia, cirurgia geral e endocrinologia foram realizadas conforme a disponibilidade de vagas nas instituições. Nos casos que demandaram procedimentos cirúrgicos, os pacientes ainda deverão retornar aos mesmos hospitais para acompanhamento e avaliações no período pós-operatório.
O diretor da PCE-US, Olival Monteiro, também evidenciou os resultados obtidos com a ação ao longo da semana. “As atividades desempenhadas foram de suma importância, abrangendo atendimentos médicos, odontológicos, oftalmológicos, entre outros. Essas ações garantem a assistência necessária e a manutenção da saúde no sistema prisional”.
A iniciativa também foi reconhecida pelos próprios custodiados. Um dos participantes destacou a relevância da ação para a população carcerária. “Para todos nós é muito bom poder participar de um mutirão de saúde como este. É uma ação importante que faz com que a gente se sinta humano e valorizado. Podemos cuidar da saúde sabendo que a sociedade está olhando para nós, que estamos buscando a reinserção social e o retorno para nossas famílias”, finaliza.








