Bombeiros orientam sobre cuidados em trilhas e cachoeiras durante o Carnaval 13/02/2026 - 16:38

Enquanto muitos aproveitam o feriado de Carnaval nas praias e nos blocos de rua, há também quem escolha a folga para buscar contato com a natureza, explorando trilhas, rios e cachoeiras. O Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR) alerta, no entanto, que esse tipo de atividade exige planejamento e atenção redobrada, especialmente por se tratar do auge do verão, período marcado por chuvas intensas e mudanças bruscas nas condições do ambiente.

“O verão é muito chuvoso, o que traz riscos adicionais. A pessoa pode começar a trilha com calor intenso e, no fim da tarde, enfrentar chuva, frio e vento, sem estar com o equipamento adequado”, explica o tenente-coronel Ícaro Gabriel Greinert, comandante do Grupo de Operações de Socorro Tático (GOST), unidade do CBMPR especializada em buscas e salvamentos.

Além da variação de temperatura, o excesso de umidade torna o terreno escorregadio, aumentando significativamente o risco de quedas e lesões. “As ocorrências mais comuns nas trilhas são entorses em tornozelo e joelho, fraturas em membros inferiores e casos de estafa, quando a pessoa fica exausta e não consegue retornar sozinha”, aponta o oficial. Segundo ele, grande parte dos atendimentos envolve pessoas sem preparo físico ou sem experiência, que subestimam o esforço exigido pela atividade.

RISCO NAS CACHOEIRAS - No caso das cachoeiras, muito procuradas durante o verão, o principal perigo continua sendo o afogamento. O CBMPR registra historicamente ocorrências em rios e quedas d’água, especialmente nas áreas mais profundas, próximas à base das cachoeiras.

Outro risco importante é o fenômeno conhecido como cabeça d’água, quando chuvas intensas fazem o nível do rio subir rapidamente, mesmo que não esteja chovendo no local exato da trilha. “A pessoa atravessa um curso d’água aparentemente tranquilo e, em poucos minutos, o volume aumenta e ela pode ser arrastada. Nesses casos, a orientação é nunca tentar cruzar o rio. Deve-se sair imediatamente da água e aguardar em local seguro até o nível baixar”, alerta o comandante do GOST.

Além disso, há um fenômeno pouco conhecido do público, chamado refluxo, que ocorre especialmente próximo às quedas d’água. Nesse caso, a força da água cria um movimento circular: enquanto a água do fundo segue o curso do rio, a água da superfície tende a puxar a pessoa de volta em direção à cachoeira. “Mesmo quem sabe nadar pode ser levado repetidamente para baixo da queda, se cansar e acabar se afogando”, explica o tenente-coronel.

Há ainda os traumas causados por mergulhos, especialmente quando a pessoa se joga de cabeça sem conhecer a profundidade do local. “Todos os anos temos registros de lesões graves na coluna cervical, que podem deixar sequelas permanentes ou até levar à morte”, afirma o oficial.

PLANEJAMENTO FAZ A DIFERENÇA - Entre os principais erros observados pelos bombeiros estão a falta de planejamento, o desconhecimento da região, a ausência de equipamentos adequados e, em alguns casos, o consumo de bebida alcoólica durante as atividades. “O álcool reduz a percepção de risco e está associado a muitos acidentes em cachoeiras, como quedas, batidas contra pedras e afogamentos”, ressalta.

O CBMPR orienta que, antes de qualquer trilha ou visita a cachoeiras, a pessoa pesquise sobre o local, verifique a previsão do tempo e avalie se tem condições físicas para o percurso. “Se há previsão de chuva, o ideal é não ir. E se durante a trilha perceber que não está bem, o melhor é retornar. Insistir pode transformar um passeio em uma situação de risco”, diz o oficial.

COMO AGIR EM ACIDENTES OU QUANDO PERDIDO - Em situações de acidente, a recomendação é manter a calma, prestar os primeiros socorros dentro do possível e acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193. Sempre que possível, a vítima deve informar sua localização ou compartilhar coordenadas geográficas. Caso não haja sinal de celular, a orientação é nunca ir sozinho para áreas de mata. Grupos de três a cinco pessoas facilitam o pedido de ajuda, permitindo que parte do grupo permaneça com a vítima enquanto outra busca sinal.

No caso de pessoas perdidas, o principal conselho é não continuar caminhando. “Ao perceber que se perdeu, a pessoa deve parar imediatamente e tentar contato pelo 193. Quanto mais ela anda, mais difícil se torna o resgate”, explica o bombeiro.

“A natureza oferece experiências incríveis, mas é preciso respeitar os limites do corpo e do ambiente. Com planejamento e responsabilidade, é possível aproveitar o passeio com mais segurança”, finaliza o tenente-coronel Gabriel.

ORIENTAÇÕES DO CBMPR

  • Para quem pretende aproveitar o feriado em trilhas, rios e cachoeiras, o Corpo de Bombeiros reforça algumas orientações básicas:
  • Planeje o passeio com antecedência e estude o local;
  • Verifique a previsão do tempo e evite atividades com risco de chuva;
  • Use roupas e calçados adequados;
  • Leve água, alimentação e kit de primeiros socorros;
  • Não vá sozinho e informe familiares sobre o roteiro e horários;
  • Evite consumo de bebida alcoólica;
  • Não mergulhe de cabeça em rios ou cachoeiras;
  • Em caso de cabeça d’água, saia do rio e aguarde em local seguro;
  • Em emergências, ligue 193.


 

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