Bombeiros do Paraná inauguram Cidade do Fogo, centro de treinamento de R$ 4,3 milhões 20/10/2026 - 17:09

O Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR) inaugurou nesta terça-feira (20) a Cidade do Fogo, novo Centro de Treinamento de Combate a Incêndios, instalado na Academia Bombeiro Militar do Paraná (ABMPR), em São José dos Pinhais. Com investimento de R$ 4,3 milhões, a estrutura coloca a corporação como referência nacional na preparação de bombeiros militares, passando a contar com o maior programa de treinamento em simuladores de incêndio do Brasil.

O local permite a realização de treinamentos com fogo em ambientes que reproduzem situações semelhantes às encontradas pelos bombeiros em ocorrências de incêndio urbano.

A Cidade do Fogo é composta por quatro simuladores independentes que permitem a realização de exercícios simultâneos. Um deles é a Célula T, modelo inédito no Brasil, que amplia as possibilidades de treinamento em situações de incêndio e reforça o caráter inovador da estrutura instalada no Paraná.

Os módulos reproduzem diferentes configurações de ambientes fechados, semelhantes aos encontrados em residências e outras edificações, permitindo preparar os bombeiros para cenários complexos de combate a incêndios urbanos. A previsão é formar 700 bombeiros e fazer 120 exercícios simulados com fogo até o final de 2026.

“Investir no preparo dos nossos bombeiros é fortalecer a segurança pública e a capacidade de resposta do Estado. O Corpo de Bombeiros tem um papel fundamental na proteção da população paranaense, e uma estrutura como essa contribui para que nossos profissionais estejam cada vez mais preparados para enfrentar situações complexas e salvar vidas”, afirmou o secretário de Estado da Segurança Pública, Hudson Leôncio Teixeira.

De acordo com o comandante-geral do CBMPR, coronel Antonio Geraldo Hiller Lino, a Cidade do Fogo representa um avanço tanto na formação quanto na segurança dos profissionais. “O treinamento é essencial para que o bombeiro esteja preparado para tomar decisões em situações de risco. Com essa estrutura, conseguimos aprimorar as técnicas de combate a incêndios em condições mais próximas das ocorrências reais, contribuindo para a segurança dos nossos militares e para a qualidade do atendimento à população”, destacou.

Menos de um ano após a inauguração da Escola Superior de Bombeiro Militar – a primeira da história da corporação voltada exclusivamente à formação, especialização e aperfeiçoamento dos bombeiros – a instituição foi elevada à categoria de Academia. Agora, com a Cidade do Fogo, amplia sua estrutura de ensino e consolida o avanço na preparação dos bombeiros militares, com um centro de referência em treinamento de combate a incêndios.

“A Cidade do Fogo representa mais um marco importante para a corporação com foco na preparação dos nossos bombeiros. Essa estrutura reforça nosso compromisso com a modernização permanente da formação, da especialização e do aperfeiçoamento dos bombeiros militares”, afirmou o comandante da ABMPR, coronel Dorico Gabriel Borba.

TREINAMENTO REALISTA - As principais diferenças em relação aos contêineres adaptados que a corporação já utilizava estão nas condições de segurança, no controle do fogo e na possibilidade de manter os exercícios por mais tempo. Os simuladores contam com adaptações específicas para o treinamento, isolamento térmico e diferentes configurações internas, que permitem reproduzir ambientes como cômodos, corredores e construções com dois níveis.

Segundo o major Mikeil Petrus Abi-Abib, presidente da Câmara Técnica de Combate a Incêndio do Paraná, a estrutura atende a uma necessidade antiga da formação dos bombeiros: conseguir reproduzir, para fins de treinamento, um ambiente de incêndio com condições próximas às reais.

“Por mais que o combate a incêndios seja nossa principal atividade, era onde tínhamos mais dificuldade para recriar um cenário real. Hoje, com essa estrutura, podemos criar um incêndio e fazer o aluno treinar nesse ambiente. É um marco divisório para o treinamento de combate a incêndio do bombeiro do Paraná”, explicou o major.

Os exercícios seguem uma metodologia que inclui preparação teórica, treinamento a seco e adaptação progressiva dos participantes, de acordo com a experiência de cada turma. O controle da evolução do fogo é realizado por instrutores capacitados e cada exercício conta com, pelo menos, três profissionais responsáveis pelo acompanhamento e pela segurança dos alunos.

SEGURANÇA E TOMADA DE DECISÃO - Durante o treinamento, os bombeiros desenvolvem a capacidade de avaliar as condições do ambiente, reconhecer riscos, comunicar-se com a equipe e decidir como agir diante da evolução do incêndio. A proposta é preparar os profissionais para responder com eficiência sem comprometer a própria segurança ou a dos colegas.

“Nosso principal objetivo é que o aluno consiga agir com velocidade e segurança ao mesmo tempo. A velocidade importa para o bombeiro, mas a segurança também. Uma boa avaliação do cenário permite tomar a decisão correta sobre o que fazer, em vez de entrar na ocorrência com uma decisão já tomada antes de conhecer as condições do ambiente”, ressaltou o major Petrus.

FORMAÇÃO CONTÍNUA - A estrutura foi planejada para ser utilizada de forma permanente na capacitação da tropa, incluindo os cursos de formação de novos bombeiros e as atividades de aperfeiçoamento dos militares que já atuam na corporação. A possibilidade de operar os simuladores simultaneamente amplia a capacidade de realização dos exercícios ao longo do ano.

A perspectiva, segundo o major Petrus, é alcançar todo o efetivo do CBMPR, além de ampliar o intercâmbio técnico com outras corporações. “Queremos utilizar essa estrutura ao máximo, treinando de 20 a 30 bombeiros por dia e alcançando toda a tropa ao longo dos próximos anos. Também estamos em contato com instrutores internacionais para ministrar aulas aos nossos bombeiros. Inicialmente, queremos trazer conhecimento e, no futuro, compartilhar o que desenvolvemos”, afirmou.

PRESENÇAS - A solenidade também contou com a presença do diretor da Academia de Ciências Forenses da Polícia Científica, Alexandre Lara, e oficiais do alto escalão do CBMPR.

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